segunda-feira, 21 de setembro de 2009

PARA ORGANIZAR INFORMAÇÕES

PARA ORGANIZAR AS INFORMAÇÕES – 18/09/09

Esta aula, sinceramente, foi a mais complicada de todas as que eu apliquei até agora. O título da atividade da aula 1 da unidade 20 é “Uma história sem pé nem cabeça” e para as crianças realmente causou dor de cabeça. Foi uma confusão, pois não conseguiam encaixar as informações.
Então, ao observar que eles estavam confusos, comecei a questioná-los sobre as informações que o texto fragmentado possuía e se as mesmas, de alguma maneira, não se encaixavam. Os alunos ficaram confusos, porque eles observaram que as frases, ou informações tinham uma sequência, elas terminavam com palavras que eles conseguiam, em alguns casos, encaixá-las..
Pediram minha ajuda e, eu auxiliei-os indicando as 5 primeiras informações e, a partir daí, conseguiram montar a história.
Foi divertido e demorada a atividade desta unidade...mas ao final conseguiram entender que o texto tem que ter uma unidade, tem que ter coerência, não basta simplesmente jogar frases soltas, sem que elas se encaixem com o contexto.
Ou seja, existem diferentes pistas que colaboram na ordenação dos fatos, que são a pontuação, a concordância e o sentido.

BRINCANDO COM OS SONS

BRINCANDO COM OS SONS – 11/09/09

Sarita! Quem é essa figura? Vocês a conhecem

Quando questionei-os de quem era, o que fazia, onde vivia, responderam com entusiasmo e animação...inventaram coisas a imaginação foi longe.
Ao copiar o texto “Sarita” da unidade 17 (aula 3) , todos acharam engraçado devido a sonoridade das palavras...iam lendo ao mesmo tempo que copiavam do quadro.
Lemos em voz alta o texto, pronunciando as palavras com empolgação...foi uma brincadeira animada.
Em sequência, pedi que assinalassem todas as palavras que começassem com “s”, que fossem verbos, nomes e adjetivos. Nesta atividade, encontraram maior dificuldades, pois não conseguem classificar as palavras.
Ao corrigirmos perceberam que não conseguiram, no entanto ao fazerem o poema, foram ágeis e rápidos, pois entenderam a proposto e gostaram de produzi-la.
Assim como na proposta da aula 3 tiveram que obedecer as exigências do texto. Na 1ª estrofe caracterizar o personagem, na 2ª estrofe o que gostava de fazer e na 3ª estrofe a mudança. No entanto pedi-lhes que escolhessem um colega de sala de aula...
Os textos ficaram muito bons e originais.


Texto produzido pelo aluno Guilherme Fraga
Turma 51 da Escola Olavo Bilac – Imbé/RS


Felipe
Felipe Felipão
Gosta de feijão
É um bonitão
E é trapalhão

Felipe gosta de falar
Mas não quer casar
Ele gosta de jogar
Mas não brigar

Felipe é feio
Mas vai ao rodeio
E não é mais solteiro.

domingo, 13 de setembro de 2009

BRINCANDO DE QUEBRA CABEÇA 08/09/09

Um dos recursos essenciais na procura do conhecimento em geral é a pergunta. As questões que nos fazemos, ou fazemos aos outros, são uma boa medida do nosso interesse e dos caminhos que percorremos, quando queremos aprender alguma coisa. São, afinal, uma forma importante de interação com o mundo.
Para aprender a ler, o aluno tem que conhecer as pistas que o próprio texto oferece ao leitor. Informações que aparecem estampadas no texto, mas que precisam ser descobertas pelo leitor para compreensão global.
Pensando em ensinar a ler para aprender que minha atividade da unidade 15 começou com uma pergunta simples “Qual é o título do texto?”. Separei a turma em pequenos grupos e entreguei-lhes os textos da aula 7 “Brincando de quebra-cabeça”, juntamente com os títulos separados e pedi-lhes que encontrassem os títulos dos textos.
Em princípio achei que iriam demorar a localizarem os títulos, mas tão grande foi minha surpresa, que conseguiram em quinze minutos localizarem os textos com seus devidos títulos.
Após encontrarem o título dos textos, grifei algumas palavras para que localizassem no dicionário.
Corrigimos e usamos as mesmas palavras na confecção de bilhetes para o “Grande concurso de frases sobre drogas” que acontecerá no final do mês de setembro e que faz parte do meu projeto final como uma atividade apresentada.
Assim, ao término do trabalho, desenvolvi no meu aluno a habilidade de compreender a leitura após a investigação prévia do texto

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

SE EU FOSSE VOCÊ...

SE EU FOSSE VOCÊ


SE EU FOSSE VOCÊ EU APRENDERIA A APRENDER
SE EU FOSSE VOCÊ EU APRENDERIA A ENTENDER
SE EU FOSSE VOCÊ EU APRENDERIA A ESCUTAR
SE EU FOSSE VOCÊ EU APRENDERIA A NÃO INCOMODAR

AGORA VAMOS LÁ COMEÇAR A ESTUDAR
AGORA VAMOS VER SE COMEÇOU A ENTENDER
E AGORA VAI VER COMO É BOM APRENDER
E AGORA VAMOS LÁ NA 6ª SÉRIE ESTUDAR

Bruno Luis Alves da Silva - turma 52
Escola Olavo Bilac
28/08/09

A atividade preparada para aula foi muito interessante, primeiramente apresentei o cartaz do filme brasileiro “Se eu fosse você” e questionei-os a respeito das imagens e informações que foram acumulados ao longo da vida e recuperamos para entendê-lo. Datas, sensações, nomes, números e valores.
Quem é o Eu e o VOCÊ neste contexto?
Os alunos fizeram a reflexão a partir dos elementos encontrados com o conhecimento prévio e a multiplicidade de sentidos e das palavras.
Ao questionarmos o texto e localizarmos todos os significados da imagem, fizemos um amigo oculto, mas a revelação tinha que ser uma charada “se eu fosse você” e falaram o que fariam no lugar do outro. Esta atividade gerou discussões, pois alguns não gostaram...um aluno não quis participar, porque de repente se sentiu ameaçado, ou seja, quem são eles para o julgarem...
A partir daí sugeri que escrevessem um poema com o título: “Se eu fosse você” e se imaginassem outra pessoa para poderem escrever o que ela poderia escutar.
A leitura foi ao grande grupo e todos gostaram bastante do que escutaram, as produções ficaram ótimas.

SE EU FOSSE VOCÊ, NÃO GRITARIA
SE EU FOSSE VOCÊ, AMARIA
SE EU FOSSE VOCÊ, BRINCARIA
SE EU FOSSE VOCÊ, CUIDARIA DOS FILHOS.

SE EU FOSSE VOCÊ, SERIA COLORADA
SE EU FOSSE VOCÊ, GOSTARIA DE SER AMADA
SE EU FOSSE VOCÊ, GOSTARIA DE AMAR
SE EU FOSSE VOCÊ, SAIRIA PRA DANÇAR

Tauana M. Portella – turma 52
Escola Olavo Bilac
01/09/09

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

CIRCUITO FECHADO

CIRCUITO FECHADO - 20/08/09

Quem já parou para pensar nas imagens que vemos ao longo do dia?

A aula partiu desse questionamento e, a partir daí, indaguei-os a respeito de imagens que veem, o que sentem e, o que, realmente gravam ou se lembram.
Cada um, após a reflexão, ilustrou com imagens o percurso da casa à escola. E, aí, apareceram diversas ilustrações interessantes. Ex.: casa bem pequena e a escola enorme ou vice versa, casa enorme e escola pequena.
Com isso, constatei que quem somos, ou o que somos nesse mundo tão grande? Como nos sentimos perante os outros? Que processos de letramento ou cultura cada indivíduo tem, ou precisa adquirir para se tornar um ser letrado.
Ao entregar o texto “Circuito fechado” fiquei observando-os, estavam estranhando e perguntaram: “Sora, isso é um texto?” ou “ o que mais tem aqui é vírgula” “ um monte de objetos né, Sora?” “repete coisas também”. Olhavam-me, esperando respostas àquele texto tão estranho.
Ao terminarem, perguntei se entenderam o texto; estavam confusos, pois o texto só apresentava “objetos” e disseram não entendê-lo, porque não tinha história. Então, eu fiz a leitura e aos poucos construí as imagens do dia de uma pessoa comum e, assim aprofundamos a compreensão do texto e novas formas de narrar com uma linguagem repleta de imagens e significados.
Depois disso, questionei-os se entendiam porque o texto recebia o título de “Circuito fechado” – conversamos sobre isso e, também, sobre qual seria o objetivo do texto e porque o personagem não tinha nome.
As respostas surgiram em forma de questionamentos e todos entenderam a proposta apresentada, criaram significados novos ao texto.
Entenderam a importância e a relevância de conhecimentos prévios na produção de significados, ou seja, o leitor a partir, de seus conhecimentos pode dar um novo olhar ao texto, por isso não podemos considerá-lo um ser passivo, ele é extremamente agente de conhecimento e consegue por si próprio decodificar a mensagem exposta. E aqui, fica claro que o professor também é um agente que proporciona o conhecimento ao seu aluno, através de questionamentos e intervenções.

Análise do filme Narradores de Javé


ANÁLISE DO FILME NARRADORES DE JAVÉ

Quando assistimos ao filme “Narradores de Javé”, discutimos a questão do papel da escrita na sociedade. Os personagens se sentiam importantes em registrar sua história naquele livro, pois na verdade era sua identidade que ia ali, seus antepassados, sua história. Era um texto científico e esse gênero nos remete a algo de muito valor social, uma vez que a história só existe a partir da escrita, antes disso é só pré-história.
Então, o personagem de Antônio Biá foi escolhido justamente por ser o único a dominar a escrita na cidade. Com isso, podemos dizer que a escrita só assume seu real valor numa comunidade, quando ela possui uma função social.
Ao escolherem Biá, este, passa a contar a história de um povoado perdido no interior brasileiro, que se vê às voltas com a construção de uma usina hidrelétrica em sua região, o que levará à inundação de todo o vale de Javé, ameaçando a própria existência da comunidade. Em face desse perigo, os moradores do povoado resolvem em assembléia realizar um esforço “científico” de recuperação e escrita de suas “grandes histórias” do passado, na esperança de mostrar que o vilarejo era um patrimônio histórico a ser preservado e assim evitar seu desaparecimento. E fica claro a todos o grande papel do escriba dentro da comunidade, ou seja, construir a história dos moradores do Vale do Javé e ao mesmo tempo, enfeitá-la
Num vilarejo como Javé, que reflete a realidade de pequenas cidades do sertão brasileiro, a oralidade não é simplesmente uma tradição, é também um traço conjuntural, devido à precária situação sócio-econômica dos moradores, quase todos analfabetos. No filme, ao receber a notícia da inundação, os moradores ficaram desesperados, por não possuírem nenhum registro histórico que comprovasse o valor cultural do lugarejo. Por mais que eles conhecessem e soubessem revelar o tesouro de Javé, à sua maneira, acabaram reféns da ausência de uma versão oficial documentada. No entanto, há informação e conhecimento, através dos moradores da cidade, e é através da oralidade, do boca a boca, o que deve ser especialmente analisado. Isso nos leva a uma necessidade instigante de busca pela qualificação daquilo que pode ganhar o estatuto de memorável, informativo e, logo, constitutivo de identidades sociais nesses grupos específicos.
A escrita, temida pelo povo de Javé, altera a relação com as palavras, fixa as idéias, rouba-lhe o movimento. A escrita é a anti-fala diz Lefevre (1991, p. 164-165), embora também afirme que a escrita jamais consegue suplantar completamente a tradição oral.
A oralidade permite um refazer constante do passado a ponto de não separá-lo do presente.
Porém, vemos no final do filme uma reconciliação entre oral e escrito, momento em que Biá começa a escrever afoitamente no “livro da salvação”, talvez pela força do acontecimento que literalmente traga Javé.
Assim como as sociedades no mundo inteiro, tornam-se cada vez mais centradas na escrita, e com o Brasil não poderia ser diferente. E, como ser alfabetizado, ou seja, saber ler e escrever, é insuficiente para vivenciar plenamente a cultura escrita e responder às demandas da sociedade atual, é preciso letrar-se, ou seja, tornar-se um indivíduo que não só saiba ler e escrever, mas exercer as práticas sociais de leitura e escrita que circulam na sociedade em que vive.
A escrita, para eles nasce com certa finalidade, como se fosse uma arma para o combate com o opressor e para poder se falar a língua dele. O que significa não ler nem escrever numa sociedade como a nossa, letrada? É ficar ao léo, a deriva?! O que leva o analfabeto ao primeiro impulso de letramento? Sua relação com seu opressor – mesmo quando o oprimido, iludido, culpa o mundo cão, hoje sabemos que as precárias condições de estudo têm sim culpadas e elas não estão assim devido a tragédia natural e inerente à vida. O primeiro motivo que o leva a se alfabetizar, geralmente, é a busca por poder e sobrevivência, portanto, não é a partir de alguma reflexão sobre a escrita ou o conhecimento, nem é fazendo a comparação: isso ou aquilo, a partir do momento que as idéias se fixarem num papel, mudará.
Quanto às práticas de letramento, essas praticamente inexistiram dentro do filme. Biá, sendo o único adulto que sabia ler e escrever achava-se importante, mas sabia que não conseguiria salvar Javé. A relação entre a oralidade e a escrita foi conflitante, mas com muitas reflexões.